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   Sofrimento  

O sofrimento é antes de mais um mal, um sinal de algo errado ou imperfeito...

Por conseguinte, o sofrimento não é algo que se cultive ou se aceite como um bem em si mesmo, nem algo que seja um comprovativo do bem;

mas o sofrimento também não é algo obrigatoriamente inútil, sem sentido, perfeitamente casual e que deva ser eliminado por todos os meios e sem demais considerações nem reflexões.

 

Quando alguém tem um dente cariado, a dor tem uma função positiva e protectora, alertando para um mal que é preciso resolver quanto antes. Sem dor certamente ninguém se faria o esforço de ir ao dentista... muitos até prefeririam que o dente apodrecesse na boca e se camuflassem os inconvenientes daí resultantes, mas sem precisarem de ir ao médico.

E também ninguém imaginaria que ter uma dor de dentes é algo a cultivar ou um qualquer sinal de valor espiritual. 

Nem sequer há grande aceitação da ideia de simplesmente se ir anestesiando a dor, de forma contínua, mas mantendo o dente na boca sem tratamento... 

Em suma, uma dor exige algo mais do que apenas actuar para não se ter sofrimento... Exige uma acção que actue nos fundamentos e razões da dor. 

E relativamente a uma cárie todos estamos de acordo quanto à situação, e ninguém considera que a vida ou o universo são injustos ou mesmo que  Deus não existe porque permite dores de dentes ou então, caso exista, que tal é uma prova de que não cuida correctamente dos seus filhos.

 

Mas quanto a muitas outras dores já não é assim. E tudo nos pode causar dor, desde uma doença ou qualquer disfunção orgânica, até á simples não concretização de um desejo ou de um projecto profissional, familiar, relacional, social, económico, espiritual, etc.  Tanto pode sofrer aquele que foi roubado, como aquele que tentou roubar e não conseguiu satisfazer o seu propósito. O sofrimento tem sempre uma base pessoal, muito própria e na generalidade das vezes de difícil compreensão integral por parte de terceiros.

 Perante um sofrimento há muitas pessoas que reagem procurando ávida e muitas vezes superficialmente uma razão explicativa, logo seguida de uma rápida atribuição de culpas e responsabilidades. Desde o pecado cristão ao karma oriental tudo pode servir como base para perceber porque determinado «pecador» sofre. E contudo,  pode não ser correcta nem fácil a percepção das razões de um dado sofrimento. Por mais que se prefiram máximas e generalizações simplistas e redutoras que incluam todos os casos possíveis numa única explicação, permitindo fazer juízos de forma rápida (mesmo que erradamente), a verdade é que na base de cada sofrimento podem existir várias razões distintas:

* Uma franca parcela dos problemas e sofrimentos com que as pessoas se deparam ao longo da vida são facilmente entendíveis como consequências directas e negativas de maus hábitos, atitudes negativas e acções erradas; muitas doenças, muitos acidentes, muitos conflitos resultam simplesmente de comportamentos errados; mesmo que em não poucos casos as próprias pessoas recusem ver esses erros e considerem que o sofrimento foi  simplesmente má sorte ou maldade de terceiros (atribuir os erros aos outros é demasiadamente vulgar e humano).

Raras são as pessoas que se julgam más (talvez apenas os santos se confessem pecadores), considerando que todo e qualquer sofrimento é injusto, mas na realidade fazemos muitos erros por omissão ou por falta de percepção dos direitos e das necessidades alheias, mesmo que não matemos nem roubemos dinheiro nem cometamos quaisquer outros crimes de grande monta e puníveis pela justiça humana:

-- como deve ser julgado aquele que perante uma delicadeza não sabe agradecer? Há quem pense que os outros têm o dever de os servir... terá ainda de suportar a responsabilidade de esse alguém que foi educado deixar de o ser, desmotivado pela ingratidão humana...

-- e aquele que não se preocupa em chegar a horas a um encontro ou em respeitar a hora marcada para um serviço (está a roubar tempo a quem espera; pode estar a provocar prejuízo económico, a impedir que uma família passe mais tempo junta; a contribuir para aumentar a tensão na vida de alguém)?

-- e a despreocupação com que muitos estacionam os carros em zonas proibidas dificultando a passagem de alguém que venha em cadeira de rodas ou confundindo a orientação de quem seja cego?

-- e a quantidade de vezes que partilhamos acusações injustas a terceiros, alimentamos boatos, promovemos falsidades?  Quem apagará as marcas sofridas por quem inocente se vê humilhado? 

-- e todas as palavras e acções de apoio que deveríamos ter dado e que não demos? E todas as más palavras que em vez de ajudar, ainda empurraram mais outro para a fossa?

-- Uma boa maioria limita as suas acções boas aos seus familiares e amigos, esquecendo que todos somos uma grande família....

-- quantas vezes, em nome do comodismo e do interesse pessoal provocamos, mesmo que inadvertidamente, dor, prejuízo ou incómodo a terceiros?

-- e quantas vezes não favorecemos ou estimulamos nos outros o erro, ao criarmos o terreno propício para que outros errem e assumam más atitudes?

 

 Muitos sofrimentos parecem ser basicamente o resultado de se habitar num mundo perigoso e inseguro. Muitas daquelas pessoas que são afectadas por  catástrofes naturais ou guerras serão basicamente vítimas (e pertença) de uma Humanidade e uma Criação terrena em Queda. Em grande medida qualquer pessoa está naturalmente sujeita à doença, ao sofrimento, ao envelhecimento e à morte apenas por viver, sem ser preciso ter pecados pessoais que justifiquem um dado sofrimento.

Assim como continuamente milhões de animais são mortos para alimentação humana e milhões de plantas são destruídas para a vida humana se estabelecer nos locais, também os vírus e as bactérias usam os seres humanos para viverem, também os fenómenos climáticos e terrestres não escolhem quem afectam nas suas manifestações. É a força de uma natureza e de uma humanidade brutais em acção.

Mais do que procurar razões específicas para tais sofrimentos o papel do ser humano é procurar prevenir e remediar tais situações, pois todos somos co-responsáveis pelo que acontece na natureza e com as vítimas de guerras e catástrofes. Através das nossas condutas e especialmente omissões tornamo-nos cúmplices de muitas injustiças e sacrifícios de inocentes. Na Terra continua a imperar a lei do mais forte e nessa perspectiva não é preciso ter culpas para se ser vítima de injustiças; basta ser fraco ou desprotegido. Logicamente esta visão pode provocar um mal-estar interior e obrigar moralmente a actuar em prol dos desfavorecidos com uma intensidade que não seria necessária se afinal fosse plenamente justificada a ideia de que quem sofre tem plenas responsabilidades nesse sofrimento.

A humanidade ainda mantém posturas fortemente negativas face a mundo natural e na forma como se organiza social e economicamente. Deus apenas poderá intervir junto das vítimas através dos seus instrumentos neste mundo, daqueles que lutam pelo Bem, e compensatoriamente após a morte dos que sofreram inocentemente. Por isso se há muitas injustiças neste mundo é porque a maioria da humanidade pactua com elas, continuando a Terra degradada e em Queda. O holocausto assassino e torturador contínuo neste mundo, seja de animais ou de seres humanos, de crianças ou de adultos, não facilita que o Bem se instale e que muitos dos sofrimentos actuais deixem de existir ....

 

 Há um outro factor de sofrimento que deriva da forma como as pessoas se posicionam perante a vida e Deus, podendo sofrer em virtude, não de atitudes acções erradas ou perniciosas, mas antes por alimentar e aderir a objectivos espiritualmente ilusórios e incorrectos. 

Muito sofrimento resulta de nós querermos que a vida seja como imaginamos e não como ela deve ser (e como realmente nos traria maior satisfação) ... e quando pensamos estar a viver uma vida real e plena, afinal estamos muitas vezes a realizar os sonhos de nossos pais, da nossa cultura e grupos que integramos, de nossos impulsos e  imperfeições; vivemos numa ilusão sobre o que é fundamental e não entendemos os avisos de erro;

Uma boa parte das pessoas negligencia todo o apoio e sabedoria que provêem de Deus e que previnem, eliminam ou diminuem muitas dores inúteis, pois estão influenciadas por falsas crenças e percepções distorcidas, não sendo nada fácil neste mundo discernir-se o que é verdade do que é falsidade (basta observar como para cada assunto há várias ideias diferentes e antagónicas). E neste grupo dos que são indiferentes à fonte divina podem encontrar-se não poucos crentes frequentadores de igrejas, templos, cultos, grupos espirituais, etc. E muitos há que apenas quando têm problemas é que recorrem às orações ou a quaisquer métodos usados  para «negociar» soluções com o divino, e nem aí procuram perceber antes qual o alerta presente no sofrimento, tão fixados em eliminar o sofrimento.

Quanto sofrimento não afecta pessoas que até são boas cidadãs, consumidoras, pais ou filhos, amigas, parceiras conjugais ou sentimentais, etc., sempre respeitadoras das regras colectivas e raramente se desviando dum caminho moralmente sancionado, mas que ficam «retidas» em perspectivas colectivamente aprovadas, mas perante Deus bastante limitadas e insuficientes? Quantas boas pessoas não sofrem por verem seus projectos mundanos derrubados, sem perceberem que o caminho afinal deve ser outro? É por tudo isto que a desilusão, que significa perda de ilusão e percepção da verdade é uma palavra de tonalidade negativa… afinal muitas pessoas parecem mesmo preferir viver em ilusão do que descobrirem a realidade.

*               Por fim, há que ter em conta diversas situações em que o sofrimento resulta essencialmente de se estar a ir no caminho certo, espiritualmente falando, ou de se procurar ir no caminho certo e ser preciso corrigir ou aperfeiçoar rotas e atitudes (embora neste caso ocorra frequentemente um apoio que reduz, limita e facilita uma integração e uma maior ou menor resolução do sofrimento):

-- limitação positiva da personalidade: qualquer pessoa adoraria ser próspera em todos os níveis da vida, não sofrendo carências, obstáculos ou dificuldades de nenhuma forma; contudo facilmente se percebe, pela natureza humana, que uma vida sem dificuldades é uma vida sem estímulo e que quando alguém vive em abundância e tudo lhe corre bem, mais facilmente desenvolve traços de arrogância e orgulho, mais facilmente desrespeitando e agredindo os outros. Assim, apesar de todos sonharem com a abundância, a riqueza, a fama e o brilho profissional e social, estes são mais armadilhas do que verdadeiras bênçãos.  Aquele que segue no bom caminho percebe que a vida o conduz preferencialmente afastado da riqueza, da grande popularidade  e de diversas outras realizações mundanas tão almejadas nos sonhos colectivos.

E percebe ainda que há sempre um poder equilibrador que desencadeia situações de algum sofrimento (para o ego) e que exige contenção ou restrição quando a excessiva segurança advinda de vários sucessos seguidos começam a despontar e a causar estragos. Como se não fosse permitido a alguém espiritualmente orientada gozar os louros de forma completa, sem descobrir uma pedra no sapato que exige atenção e moderação no andar, e não permite corridas nem saltos. Esta situação pode provocar algum incómodo e sofrimento face aos sempre descontrolados desejos humanos. Contudo nas várias pessoas em que este poder não actua de forma tão precisa, apenas actuando quando foi atingido um máximo (e o está cheio tenha de se esvaziar), quando já estragos e deturpações na personalidade aconteceram, e actuando então muitas vezes de forma dramática, as perdas e os sofrimentos são maiores e geralmente irreparáveis (quanto  mais alto se sobe maior a queda)

-- sofrimento pela consciência desperta: todo aquele que desperta para a realidade humana global não pode ficar inerte nem alheio a os sofrimento presente nesta terra e isso exige decisões e atitudes que geram problemas, colidem com obstáculos e defrontam poderes instalados, gerando sempre reacções negativas por parte dos outros; aquele que consegue viver tranquilo e sereno no meio de tanta dor é «cego» e egoísta.

-- reacção das forças negativas (em parte um «teste»): seja pela natural constituição psíquica e social humana,  ou por entidades, estruturas ou princípios negativos (psíquicos ou de outra ordem não material e não humana) é notório que ousar levantar a cabeça perceber para além dos dogmas, tradições e paradigmas colectivos, e aprender a respirar noutra atmosfera, mais pura e íntegra espiritualmente, atrai a desconfiança e até a inimizade de quem domina ou de quem é subserviente aos múltiplos poderes ou condições instituídas e predominantes da vida terrena. Basta, muitas vezes, a alguém conscienciosamente escolher o que é correcto em vez do que é fácil, ou do que está em conformidade com as hierarquias e poderes reinantes ou é mundanamente prazeroso e atractivo aos olhos da maioria para sofrer já alguma dose de incomodidade. Pode parecer estranho, mas muitas vezes quem está preso odeia quem o vem salvar da prisão (Moisés foi acusado pelos hebreus de os ter levado para o deserto e de os ter tirado da cómoda posição que tinham no Egipto, mesmo sendo escravos).

Fácil é seguir na corrente da maioria, ser conduzido sem discernimento, acatar decisões por tradição ou mera imitação e seguidismo gregário, estar na moda e consumir o que todos consomem, aderir e ligar-se psiquicamente ao ambiente circundante, e vender a alma por ambições ilusórias e vulgares. A consciência, o livre discernimento e a actuação baseada em princípios elevados sempre foi custosa e atraiu poucos apoios externos. Pensar ou agir de forma diferente da instituída em dado grupo, organização ou etnia ou povo sempre provocou reacções defensivas. E quando alguém atinge algum relevo assim agindo, geralmente acaba sendo eliminado ou silenciado por este mundo (e até não raras vezes posteriormente adoptado – e distorcido -- e usado para a consolidação das posições dos que se sentiram anteriormente afectados)

Por isto tudo é também um teste; pois o distraído, o oportunista ou o mero curioso é logo afastado quando começam as dificuldades típicas de um caminho mais exigente. Aquele que procura o bem com vista ao ganho, logo percebe que o ganho pode não ser grande e não compensar as dificuldades, pelo que se afasta e vai procurar vias mais cómodas e gratificações mais imediatas e mais reconhecidas socialmente.

-- estímulo à mudança: a natureza humana é acomodada, a lei da inércia que determina que cada corpo tenha tendência a manter o movimento actual, não favorecem o caminho espiritual, pelo que não é de admirar que quem o persiga activamente e todos aqueles em que deus pousou sua atenção, sejam de vez em quando impelidos a caminhar em frente, para novas realidades e a não ficarem passivos e a gozarem das facilidade e estabilidades mundanas.

-- aprendizagem de novas capacidades: ter experiência exige sempre dor, falar com conhecimento de causa exige ter passado por provas e dores, falar por prática e não por teoria exige ter aceite e ultrapasso desafios e  problemas; ter vivenciado problemas e falhas; pois apenas aquele que sofreu sabe dar o devido valor e sabe ser pleno ouvinte. Além disso, sem a devida prática como se alcançarão novas e melhores capacidades? Aquele que fica o dia todo a divertir-se e foge da escola e dos seus deveres e dificuldades próprias, pode ter-se livrado de algum sofrimento e esforço, mas deixou por  desenvolver muitas potencialidades. No entanto, muitos há que sofrem e reprimem a dor, reprimem as memórias, e reprimem essa dor nos outros; fogem do sentir e da fragilidade daí resultante e evitam a presença de quem active essa dores, ou acabam reagindo… esses infelizmente apesar de terem experimentado a dor ficaram imobilizados por ela e não conseguiriam fazer da dor uma guia e conselheira, em direcção à sabedoria e a uma maior sensibilidade e capacidade de ajuda aos outros.

-- purificação espiritual: quando carregamos defeitos, erros e  pecados ficamos mais pesados, mais cegos e menos aptos para um bom trabalho espiritual; como podemos subir alto se estamos com lastro negativo e inútil? Libertarmo-nos dele, através dos acontecimentos que nos dão uma correcta percepção do que é correcto e do que não é correcto, e que nos permitem mudar de atitudes ou modos de acções é um processo bastante produtivo, mesmo que tal exija alguns desconfortos e situações mais desagradáveis, embora compensadas pela melhor atmosfera respirada e percepcionada por quem se livrou de tal lastro prejudicial.

-- sacrifício por terceiros: por  amor, muitos sacrifícios são feitos e muitas dores aceites. Casos há de pessoas que passam por situações dolorosas ou difíceis sem culpa nem responsabilidade pessoais, mas apenas para apoiar ou ajudar terceiros, mais desfavorecidos. E nem sempre o altruísmo serve de protecção eficaz contra as doenças e os problemas, como por vezes alguns querem fazer crer, podendo a pessoa ser afectada pelo mesmo problema daqueles que ajudava. Além disso, sacrificar-se para ajudar um terceiro não tem obrigatoriamente que ver com situações em que impera a dependência psíquica ou material, a submissão masoquista a terceiros e a incapacidade de discernir o que é válido e positivo do que não é.

-- alertas para evitar erros: diversas situações podem não passar de alertas para se evitar um dado caminho e quem procura seguir a vontade de Deus precisa sempre de descortinar em cada situação, fácil ou difícil, prazerosa ou dolorosa, o que tal pode querer dizer: se umas vezes sofremos dificuldades por sermos «postos à prova» e estarmos no caminho certo, outras vezes os obstáculos querem basicamente alertar para um caminho errado que deve ser abandonado ou evitado. Saber distinguir qual das duas situações é a correcta exige grande humildade, flexibilidade e perceptividade à vontade de Deus, coisas pouco habituais numa humanidade cheia de ideias generalistas e preconcebidas.

 

 Mas não podemos esquecermo-nos de que cada um de nós tem uma responsabilidade de uma palavra a dizer quanto ao sofrimento dos outros: em vez de questionarmos deus e a sua vontade ou acção no mundo é preciso que nós, enquanto instrumentos dele, façamos cada vez mais a nossa parte, pois assim muitos sofrimentos seriam eliminados.

mas é preciso interagir com quem sofre sem evitar fazer juízos precipitados ou atribuir responsabilidades a priori; evitando ansiosamente arranjar e instilar soluções, estimular mudanças ou influenciar forçadamente quem sofre (quantos não procuram resolver os seus próprios problemas ou eliminar inseguranças e sentimentos de impotência através da «ajuda» aos outros).

O que quem sofre precisa, na maior parte das vezes, de quem simplesmente saiba estar por perto, com verdadeira atenção e respeito pela individualidade, sem julgar nem exigir, e sem deliberar ou proferir sentenças, sabendo dar amor incondicionalmente (embora isto não queira dizer que se deva ser vítima de enganos ou manipulações ou ser-se conduzido para situações em que em vez de se salvar a vítima de afogamento acaba-se afogado também). Saber sugerir quando há receptividade e quando é o tempo adequado, aconselhando ou estimulando algo que está em verdadeira harmonia com a própria realidade e as capacidades e oportunidades de quem está em situação difícil  é uma sabedoria muito pouco habitual, num mundo repleto de ansiedades e condicionamentos. Onde  o tempo se parece esgotar depressa e a nossa capacidade de oferta também.

Muitas vezes quem sofre já percebeu o erro ou o que deve fazer para mudar (se tal for possível de mudar, pois várias são as situações irremediáveis na vida, por mais que isso custe ao ser humano), e apenas precisa de quem esteja presente e dê o seu apoio e conforto silencioso ou não directivo, demonstrando que quem sofre não está sozinho na sua dor. Que a sua situação tem validade, que é uma pessoa que merece amor por parte dos outros, independentemente do passado e das acções e posturas tomadas.

Quando damos dicas em vez de ouvirmos o outro e o sobrecarregamos com pressões para agir conforme achamos bem, estamos pura e simplesmente a violentar a integridade da outra pessoa, e já diz o ditado popular que «de boas intenções está o inferno cheio». E quantas vezes aqueles que procuram salvar o mundo, não acabam antes a destrui-lo um pouco mais

A verdadeira razão de estarmos nesta terra não é atingirmos a felicidade, nem conseguirmos a prosperidade e todos aqueles sonhos divulgados em muitas revistas, livros, filmes, etc.,  que apelam para o consumo e a auto-realização mundanas,  mas sim realizarmos o plano divino. Este, não é antagónico da alegria e da sat5isfação, antes pelo contrário tais expressões são realidades de deus, mas é antagónico às muitas imaturas alegrias  e satisfações. Que são desejadas pela humanidade,  e que estimula os egoísmos e as diferenças negativistas entre as pessoas, em que se procura ser admirado e ser servido em vez de servir.

 

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